Uma canção de Dra. Angelou

Esses dias terminei de ler “Sei Porque Canta o Pássaro na Gaiola” de Maya Angelou. Mergulhar nas memórias dela nos acomete de uma insaciável sede de vida.

E que Vida.

Só percebi como minha escolha inconsciente de leitura era apropriada para o momento de isolamento social quando já estava quase terminando o livro. Ainda que seja absurdo equiparar nosso engaiolamento temporário às injustiças racistas que a autora sofreu crescendo no sul dos Estados Unidos nos anos 30, sinto que há agora, também, uma espécie de doce anseio – tão esperançoso quanto melancólico – soando em uníssono em todos os lares que, por sorte, nos servem de abrigo.

A primavera está começando na Inglaterra e tenho visto pássaros voando livremente, não mais atordoados pelo frenesi da cidade. Hoje mesmo, um periquito pousou em minha janela.

Tomei como um aceno da Dra. Angelou, prenúncio feliz de uma liberdade colorida.

Não deixa de ser estranho que em meio a uma pandemia o sol esteja quente e o céu tão azul – dádivas raras por si só, por aqui. O clima não tem, afinal, a sincronia sentimental de Hollywood. Então, pelo visto, estaremos sem trovoadas e nuvens negras para esse fim de mundo.

Por aqui, pelo menos por hoje, o mundo lá fora parece sorrir. E isso dá uma certa esperança.

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Modos de Viver (ou A Filosofia dos Pangarés)